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Pnad: Dilma vai entregar um país pior do que recebeu

Publicado em 20/09/2014

O binômio sucateamento/ingerência política (se houve) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a esta altura, conta menos para os brasileiros do que o triste quadro que emerge dos dados colhidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) 2013 – que, aliás, continua sob suspeição. Somos um País que busca melhorias sociais – ou diminuição de perdas – nas franjas da revisão de amostras mal interpretadas.

Qual o efeito de uma desigualdade hoje pouco menor do que a ontem divulgada? O Índice de Gini de todas as fontes de renda caiu de 0,505 para 0,501 (antes de o erro ser detectado, tinha ficado igual). E o Gini da renda de todos os trabalhos foi de 0,496 para 0,495 – em vez de 0,498. Na versão original ou corrigida, permanece uma iniquidade social intolerável: o rendimento médio do estrato do 1% mais rico da população é quase 40 vezes maior do que o dos 40% mais pobres.

A amostra que emerge da PNAD escancara uma economia e um PIB que crescem em ritmo cada vez mais lento. O governo do PT não tem como esconder que a renda cresceu só 3,4% de 2012 para 2013 – muito menos do que os 5,1% divulgados na véspera.
E a taxa de desemprego nacional? Não foi revisada: cresceu de 6,1% em 2012 para 6,5% em 2013. O boletim Mercado de Trabalho/Conjuntura e Análise do IPEA concluiu que a maioria dos indicadores do trabalho analisados aponta ritmo de melhora em 2013 aquém daqueles verificados em anos anteriores, quando mensurado pela comparação das médias anuais e ressalta que esse é caso da taxa de desemprego, do nível de ocupação e do rendimento real.
Pela PNAD, o analfabetismo voltou a diminuir após estacionar no ano anterior. Bom? Não. Apesar da ligeira queda nesse índice (diminuiu de 8,7% em 2012 para 8,3% em 2013), a pesquisa revela um aumento no número absoluto de pessoas com 10 anos ou mais sem instrução ou com menos de um ano de estudo. Esse número avançou 4,3%, de 15,3 milhões para 16 milhões no período. Segundo o IBGE, 12,63 milhões de brasileiros com menos de 25 anos não sabem ler e escrever. E estudo do IPEA mostra que um ano extra na escolaridade média aumenta a renda per capita anual em 35%.

Por isso, educação integral para crianças e jovens é o enorme desafio do País e está na base do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil. Nossa plataforma de governo parte do princípio que o processo educativo deve formar pessoas tanto para o exercício da cidadania plena como para o mercado de trabalho, a partir de uma agenda estratégica, voltada para uma sociedade em transição para o desenvolvimento sustentável.

A realidade é que o governo do PT não tem como esconder as mazelas que cria. Onde está o Brasil colorido dos comerciais de televisão do PT? Dilma Rousseff vai entregar um País pior do que recebeu.

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